Integração Lavoura-Pecuária Alternativas de recuperação e formação de pastagem




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Simpósio - Realidades da Agricultura Nacional

Integração Lavoura-Pecuária - Alternativas de recuperação e formação de pastagem

Herbert Vilela
Engenheiro Agrônomo, Doutor


1 – INTRODUÇÃO

A área de pastagem com espécies cultivadas no Brasil está em torno de 115 milhões de hectares, destacando-se nesta categoria o Gênero Brachiaria, enquanto a área com pastagem nativa é de 144 milhões, onde predominam centenas de espécies nativas. Anualmente, semeiam-se cerca de 5,5 milhões de hectares para formação de pastagem, quer na forma de renovação ou de formação propriamente dita (Zimmer & Euclides, 2000).

Estas áreas abrigam numericamente: 195 milhões de bovinos, de 18,7 milhões de ovinos, de 10,6 milhões de caprinos, de 9,6 milhões de eqüinos, de 2,0 milhões de muares, de 1,3 milhões de asininos e de 1,5 milhões de bufalinos (IBGE, 2004). Estes números proporcionam uma taxa de lotação de 0,91 cabeças por hectare.

A produção bovina atual é da ordem de 8 milhões de toneladas por ano de equivalente carcaça, com uma taxa de abate de 20,87% (CNA, 2004).

A omissão de critérios técnicos na utilização de áreas com recursos naturais, com agricultura e com pastagem, vem causando severas mudanças ao meio ambiente, através de vários tipos de ações antrópicas:

  • Vegetação clímax - uso generalizado do fogo como meio auxiliar no manejo de pastagens e impropriedades no desmatamento mecânico, assim como o uso indiscriminado de herbicidas, causando redução deste tipo de vegetação;

  • Processo de erosão - falta de controle a erosão nas áreas agricultáveis, super-pastejo e uso de gramíneas inadequadas a áreas com pastagem. Não há obediência aos limites de declividade, para o uso em agricultura e para a formação de pastagens. Falta proteção aos topos das elevações. Todos estes fatores contribuindo para aumentar o processo;

  • Água fluvial - não há proteção vegetal às nascentes e ao longo dos cursos d’água, resultando  em “assoreamento” destes mananciais e conseqüentemente redução da água fluvial.

As ações antrópicas devem e podem ser evitadas para que os acidentes associados à degradação ao meio ambiente e suas conseqüências sócio-econômicas sejam minimizadas ou evitadas. Um recurso que deve ser adotado pelos atores destas ações, seria primariamente, o uso do Sistema Agropastoril (integração lavoura e pecuária), quando se pode usar o plantio direto, que constitui um aliado importante contra estas modificações impostas ao meio ambiente.

2 – INTEGRAÇÃO (KLUTHCOUSKI, FERNANDO STONE & AIDAR, 2003)

A integração da Agricultura e Produção Animal representam ainda o principal caminho para a intensificação da produção de alimento. A produção mista dá aos agricultores uma oportunidade de diversificar o risco da produção agrícola ou produção animal individualmente, de usar a força de trabalho de maneira mais eficiente, de ter uma fonte de dinheiro vivo e de valorizar produtos de fraco valor ou excedentários. Em várias medidas, os sistemas de produções mistos permitem o uso dos resíduos de uma atividade (subprodutos das culturas e estrume) como fatores de produção da outra atividade (como alimento para o gado ou fertilizante).

A produção mista é em princípio, benéfica para a qualidade da terra na medida em que mantém a fertilidade do solo. Além disso, o uso de rotações entre as diferentes culturas e forragens recupera os nutrientes, reduz a erosão e controla algumas doenças do solo.(FAO, 2004).

Contudo, a adoção do primeiro plantio direto nos cerrados é impedido geralmente, pela necessidade de se fazer um preparo (“toillet”) da área, como eliminar arbustos, preparo do solo propriamente dito, nivelamento e plantio, por meio de implementos como arados, grades e compactadores.

Pelo ponto de vista de sustentabilidade, os agrossistemas (agropastoril, silviopastoril, silvioagrícola e outros) têm recebido, nos últimos anos, atenção especial, a partir do entendimento agronômico, econômico, ecológico e social.

Os conceitos de formação e de renovação de pastagens devem ser bem caracterizados. Ambos se referem ao estado atual de uso, da área em questão, como pastagem. O conceito de  formação de pastagem é aplicado quando não há presença de pastagem cultivada na área. Por outro lado, o conceito de renovação de pastagem é aplicado á diferentes situações e que está em função do grau de degradação da pastagem cultivada. Assim, têm-se pastagens caracterizadas pela menor produção quantitativa e qualitativa de forragem à época de crescimento vegetativo, até situações em que há pequena produtividade da pastagem pela predominância de plantas invasoras e com processos erosivos acelerados.

Entre estas gradações, há situações intermediárias, que podem determinar a intensidade em que ocorrerá a renovação. Pode haver situações em que o estado de degradação da pastagem está caracterizado por apresentar apenas redução na produção de forragem, o que pode ser ajustado pela adubação corretiva do solo. Há, por outro lado, o extremo da degradação, que envolve neste caso, além do preparo de solo, o plantio, a correção da acidez e a adubação corretiva e de formação.

A intensidade da agricultura, à base de forragens, nas distintas Regiões Pastoris do Brasil, é determinada pelo solo e clima, em união com os princípios que regulam a produção e utilização destas. Embora as plantas forrageiras de regiões secas sejam diferentes daquelas de regiões úmidas, os princípios básicos de manejo que norteiam a sua utilização vão ser os mesmos, qualquer que seja a região.

O objetivo deste trabalho é discutir técnicas agronômicas envolvidas com estabelecimento e adubação de pastagens.

3 – TRATAMENTO DO SOLO

  • Sistema convencional

Dependendo do tipo de vegetação existente na área e do grau de declividade tem-se a destoca com lâminas em tratores pesados ou em dois tratores pesados com auxilio de correntes, para áreas com cobertura vegetal do tipo cerrado denso e com pouca declividade. Conquanto, estas áreas no Brasil estão se tornando cada vez mais escassas (IBGE, 2004).

Em áreas cobertas com tipos de vegetação que, predominantemente são  baixas, como naquelas cobertas por cerrados ralos, campos nativos e de pastagens degradadas, com pequeno grau de declividade, deve-se como primeira medida, usar uma grade pesada. Esta gradagem irá promover uma incorporação da matéria orgânica superficial, das sementes de ervas daninhas e ainda promover uma maior descompactação deste solo. Posteriormente, se necessário for fazer aração com arado tipo aiveca. De acordo com a potência disponível no trator, pode-se usar arados com duas ou quatro aivecas. Sendo que a potência requerida variará de 70 a 110 H.P. Ainda, a aiveca poderá ser lisa ou recortada, se o solo for caracterizado como arenoso ou argiloso. O arado tipo aiveca deve ser dotado de um opcional que permita que a aiveca se desarme quando encontrar algum tipo de resistência. Após a aração, proceder a uma gradagem de nivelamento, logo antes do plantio. Esta operação deve ser feita, se possível, durante o período de seca.

Em solos arenosos, recomenda-se fazer uma compactação do solo com rolo compactador, após o seu preparo, antes e após o plantio da forrageira. Este cuidado é muito importante pela característica das sementes forrageiras (pequeno tamanho) de possuírem pouca reserva para a germinação, principalmente as gramíneas. Como regra geral, em qualquer tipo de solos é recomendada uma compactação imediatamente após o plantio.

  • Sistema agropastoril

A integração lavoura pecuária, em áreas sem vegetação arbustiva e com declividades moderadas, tornou-se um sistema importante, principalmente devido ao uso do plantio direto. O plantio direto traz os seguintes benefícios para o sistema: a) maior conservação da água e menor variação na temperatura do solo;  b)maior capacidade de supressão física das ervas daninhas (reduz o uso de herbicidas pós-emergentes) e especificamente a palhada de Brachiaria; c)  controle de doenças (mofo branco, podridão de Fusarium, e podridão de Rhizoctonia), por ação alelopática causada pela microflora do solo sobre os patógenos e, d) maior longevidade na cobertura do solo em razão da lenta decomposição de seus resíduos.

O sistema Barreirão (CNPAF/EMBRAPA) é uma tecnologia de renovação de pastagem em consorcio com culturas anuais (KLUTHCOUSCKI et al.,1991). É recomendado quando for necessária fazer uma correção da acidez do solo, em seguida o preparo do solo (descompactar, controlar de pragas e incorporar pragas e corretivos) e adubação corretiva e de formação.

O Sistema Santa Fé (CNPAF/EMBRAPA), fundamenta-se na produção consorciada de culturas de grãos (milho, sorgo, milheto, soja e arroz) com forrageiras tropicais (Gênero Brachiaria) tanto no Sistema de Plantio Direto como no convencional, em áreas de lavoura, com solos devidamente corrigidos.

Os objetivos básicos do Sistema Santa Fé são produzir forragem para a entressafra e palhada em quantidade e qualidade para o Sistema de Plantio  Direto. O consorcio é estabelecido anualmente, podendo ser implantado simultaneamente ao plantio da cultura anual ou cerca de 10 a 20 dias após a emergência desta (KLUTHCOUSKI et al., 2000).

As consorciações podem ser de forma simultânea ou em pós-emergência da cultura anual. Uma das alternativas é colocar a semente da forrageira a ser implantada, junto com o adubo usado para o plantio do grão da cultura associada, antecedida de preparo convencional do solo ou não, se houver o uso do dessecamento (herbicida sistêmico) das plantas existentes na área (ervas e/ou forrageiras), ou o plantio da forrageira entre as linhas de plantio do grão. Para retardar o crescimento da forrageira se usa uma sub-dosagem de um herbicida em pós-emergência, evitando assim a competição por luz entre ela e a cultura de grão. Ainda, antes da colheita do grão, pode haver a necessidade de nova aplicação de herbicida para facilitar a colheita do grão, devido ao volume da forrageira. Após a colheita do grão, se usa a forragem para pastejo e/ou fenação e/ou silagem.

Uma característica deste sistema é que após o primeiro ano, anualmente se faz o plantio de grão sobre a forrageira dessecada, que foi plantada simultaneamente com a cultura anterior e também, quase sempre, se faz o ré-semeio da mesma  forrageira ou de nova forrageira. Outra variação deste sistema  é a aplicação do herbicida ao final do ciclo da cultura do grão (normalmente soja), para acelerar a queda das folhas senescentes e em seguida fazer o plantio da gramínea forrageira. Neste caso tem-se menor competição por luz entre a soja e a forrageira, e conseqüentemente maior produção de grãos. A implantação da cultura do grão deve ser feita no momento propício, ou seja, o mais cedo possível.

Poderá também haver situações em que se fará o plantio da forrageira com o grão da cultura associada, após a aração e gradagem, em se tratando de pastagem degradada e campos nativos. 
Após as operações de limpeza, sempre proceder à conservação do solo, nos casos pertinentes. Áreas com declividade superior a 8%, recomenda-se usar o cordão em contorno. Estas áreas são hoje, as mais usadas para o sistema agropastoril, valendo-se do Sistema de Plantio Direto.  Áreas com declividades entre 8 e 18%, sempre devem ser preparadas com construção de cordão em contorno, sem gradiente e sempre se valer de  plantas forrageiras que protejam bem o solo (estolonífera), independente da textura do solo. 

  • Sistema silviopastoril

Áreas com declividade entre 18 e 35%, as operações de desmatamento e/ou destoca e abertura de linhas de plantio (2cm de profundidade)  devem ser feitas apenas em 2/3 da superfície inferior da elevação. A parte superior (1/3) se possuir alguma vegetação arbustiva, deve ser preservada (protegida com cercas) por um período superior a cinco anos e não receber nenhum tratamento mecânico ou químico, independentemente da textura do solo. Nestas áreas, não havendo vegetação arbustiva, deve-se proceder ao plantio de plantas arbóreas frutíferas e/ou leguminosas.

A parte inferior (2/3 inferior) deve-se usar espécies forrageiras estoloníferas e não fazer nenhum tipo de conservação de solo, para evitar acidentes com animais, devido a altura dos degraus formados pelos terraços.

Áreas com declividade  acima de 35%, não devem ser utilizadas na forma de pastagens e se o são devem ser transformadas em sistema silviopastoril.

4 – PLANTIO DIRETO (FEBRAPDP)

Por perceberem que a erosão era causada pelo impacto direto das gotas de chuva na superfície, desintegrando as partículas do solo e fazendo com que o acúmulo de água causasse arraste de grande quantidade de solo juntamente com a água de escorrimento, alguns pioneiros passaram a buscar formas de recolocar a palha resultante das colheitas na superfície do solo contra o impacto direto da chuva.

Este foi o inicio da mais importante revolução ocorrida na agricultura moderna tão extraordinária quanto o descobrimento da mecanização. A presença de produtores demandando novos conhecimentos às instituições públicas, que em parceria com empresas fabricantes de equipamentos, passaram a desenvolver semeadoras que plantassem sem a necessidade de revolver os solos.

Este processo denominado Sistema Plantio Direto na Palha, também conhecido no mundo como “no-tillage”, “zero tillage”, “direct seeding”, “direct drilling”, “labranza zero”, ou “siembra directa”, teve no Brasil crescimento extraordinário. Hoje, 35 anos após o sua introdução, desenvolvimento, aperfeiçoamento, validação e difusão, ocupam uma área de aproximadamente 22 milhões de hectares, o que significa 50% da área explorada com agricultura intensiva no país.

“Os benefícios agronômicos do plantio direto são bastante conhecidos e difundidos”. “Essa é, talvez, a principal razão da rápida expansão desse manejo em substituição ao preparo convencional do solo para plantio.” Observam, porém, que “os benefícios ambientais decorrentes da adoção do sistema são  pouco conhecidos e difundidos”. Entre os principais benefícios do plantio direto, está a redução de emissões de gases do efeito estufa, do solo para a atmosfera, transferência do carbono da atmosfera para o solo, contribuindo para a diminuição dos impactos das mudanças climáticas globais.

Estimativas realizadas por vários pesquisadores brasileiros evidenciam que os solos sob plantio direto em clima tropical e subtropical podem seqüestrar, em média, anualmente, de 0,5 a 0,6 toneladas de carbono por hectare.

“Dada à importância do assunto quanto a aspectos ambientais, econômicos e sociais, é fundamental que se aprofunde a discussão a respeito do seqüestro de carbono e qualidade da água via plantio direto, suas perspectivas e oportunidades”, defende a FEBRAPDP1.

O plantio direto praticamente elimina, ou reduz drasticamente aquela que em geral é a mais devastadora causa da degradação do solo: a erosão. Prusky2  estima que as perdas para o Brasil são da ordem de US$ 5,3 bilhões/ano, como resultantes de erosão com os seguintes componentes: perda de nutrientes, depreciação da terra, aumento do custo de tratamento da água e de manutenção de estradas de terra e a redução da vida útil dos reservatórios.

Quadro 1 - Comparação de perdas de solo e água no plantio direto e no plantio convencional.

Categoria

Perdas por erosão (t/há/ano)

Perdas de água (mm/ano)

Plantio Convencional

23,3

137,6

Plantio Direto

5,6

42,4

Porcentagem (redução)

76,0

69,2
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